Todos os anos a tragédia anunciada se repete…
Em 2008 houve mortes, destruição, desespero. Parece que nada disso serviu, novamente, para alertar as autoridades gregas a tentar previnir ou, ao menos, minimizar os efeitos devastadores do “verão grego”.
Além de turistas, o verão na Grécia traz efeitos que são largamente conhecidos no Brasil: as queimadas, na Amazônia, afligem e preocupam muito mais a opinião pública mundial do que as autoridades brasileiras.
O mesmo ocorre na Grécia.
Segundo relatos da BBC World, o serviço britânico de informação mundial, os incêndios florestais já mataram pelo menos 46 pessoas em todo o País, o que motivou as autoridades gregas a declarar mais um estado de emergência.
“Precisamos mobilizar todos os recursos e forças para enfrentar este desastre” declarou o primeiro-ministro Kostas Karamanlis. Novidade? Nem tanto… talvez a manifestação do líder de um clã que, no poder há décadas, se vê obrigado perante a pressão da opinião pública européia a se posicionar.
Pelo menos 170 grandes incêndios já atingiram o território grego neste verão… Os casos mais graves, cerca de 80, concentram-se a 80 quilômetros da costa oeste do Peloponeso, no sul da península,.
“Ninguém tem o direito de tirar vidas e destruir o meio ambiente e o nosso País. Os culpados tem que ser processados” bradou Karamanlis.
Mas, se todos os anos ocorre o mesmo, e o próprio primeiro-ministro vocifera contra os “destruidores da pátria-mãe”, por que a cada ano tudo se repete?
Mais uma vez o governo grego pediu ajuda aos alemães, espanhóis, franceses e holandeses, que, novamente, prometeram ajudar.
Enquanto a terra arde, a campanha eleitoral é suspensa e, segundo a imprensa local, provavelmente adiada.
No último sábado, o fogo chegou perto da capital, Atenas, obrigando as autoridades a fechar uma importante estrada, que liga a cidade ao aeroporto.
A falta de vento, as altas temperaturas (frequentemente ultrapassando os 40 graus) e a inoperância das autoridades agravam ainda mais o tórrido verão grego e o que era motivo de geração de divisas -o verão- torna-se fonte de constante preocupação.
Até quando essa situação prevalecerá?
Já não é hora de investir em mecanismos que possam inibir ou pelo menos minimizar uma situação que se repete ano após ano?
Nossa expectativa, a expectativa dos gregos que moram no Brasil, é a mesma de todo o mundo: acabar com uma situação que já tirou a Grécia das páginas de turismo e práticamente a colocou nas páginas policiais…
Formas para reverter tal “queimada” seguramente existem…
As perguntas que ardem, portanto, começam a ficar cada vez mais claras, apesar das grossas colunas de fumaça que emergem da causticada terra dos Deuses: Por que nada é feito? A quem interessa tal situação? Até quando permanecerá? Talvez as eleições, se e quando ocorrerem, respondam tais questões.